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Thursday, October 30, 2003

Hoje é o DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DO CANCRO DA MAMA. 



Hoje é o DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DO CANCRO DA MAMA.
A minha vizinha Cuca apareceu hoje na TVI. Teve direito aos seus 15 minutos de fama, porque tem cancro da mama.
Somos quase da mesma idade... Apesar de tudo, ela tem lutado com ânimo contra a doença!
Duas em cada 10 portuguesas vão sofrer de cancro da mama

Hoje, este dia deve ser dedicado à Cuca e a todas as mulheres do mundo!
Façam exames regulares!
Não se deixem andar assim!
Cuidem e Gostem de vocês!

Wednesday, October 29, 2003

O Laço da Liga – Um Laço para a Vida 

Sabiam que...
... a maioria dos casos de cancro, quando diagnosticados numa fase precoce, têm grande possibilidade de cura?
... o Cancro da Mama pode não ser hereditário.
... a melhor altura para fazer o auto-exame mensal é 10 dias após o início do período menstrual.
... entre as mulheres portuguesas, o Cancro da Mama é o tumor maligno com mais novos casos por ano e com maior mortalidade.
... os homens também podem ter Cancro da Mama; 1 % dos Cancros da Mama foram detectados em homens.

Para ficar a saber muito mais podem ir aos sites Laço Rosa e Liga Portuguesa contra o Cancro . Por curiosidade, sabiam que a Liga existe há mais de 60 anos??!

Outros Sites:
Associação dos Pais e Amigos das Crianças com Cancro e Ministério da Saúde - DGS

Alerta -> De 30 de Outubro a 2 de Novembro vai decorrer o Peditório Nacional a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Os donativos permitem usufruir de benefício fiscal.
PREVENIR É SABER... SABER É AGIR!

Tuesday, October 28, 2003

Para todos os que estão a desesperar. 



As manhãs do tempo

O tempo não pára,
nem é isso que se quer.
Nem anda mais depressa,
se calhar, mau não seria.
Nem mais devagar, por sinal,
disso não quero nem saber,
se tal necessário fosse,
preferia nem lhe mexer.
Mas o tempo tem manias,
assim como nós as temos.
Se gostamos do que criamos,
anda tão rápido, nem respira.
Se de pressa nos queixamos,
que bocejo, nem anda,
vamos deixar o tempo andar,
pois nele, ninguém manda.

PauloS

Friday, October 24, 2003

"O futuro ainda tem alguma coisa para viver" 



"Ainda não pensei no fim. Não quero sequer pensar nisso. Sei que não vai ser muito tempo. Faço por ter pensamentos positivos. Os negativos, esses, é fácil virem à mente". Luísa junta as mãos como numa prece e aconchega-as debaixo da face deitada. Os lábios tremem-lhe mais do que a voz. Aos 48 anos, está remetida à tentativa de melhoria da qualidade de vida. E faz por pensar positivo. Já não anda, ver televisão é prova de atenção demasiada, tal como ler. Resta-lhe pensar.

"O meu futuro ainda tem alguma coisa para viver", explica, num sorriso sincero.

Luísa está a receber cuidados paliativos no IPO do Porto, arrumadas que ficaram as hipóteses de travar o cancro do colo do útero que a surpreendeu há ano e meio. Mas ainda alimenta sonhos. E transformou o pessoal da Unidade de Cuidados Continuados (UCC) em amigos. Quando lhe dá o desgosto, pede a uma enfermeira para se sentar na sua cama. E volta a sonhar. Em ir para casa e "entreter-se" com o que lhe der gozo fazer. Não faz ideia do quê.

Ao contrario de Fernando, não corre os corredores da UCC. Ainda não tem paciência. E chegou em Setembro, dois meses depois dele.
Sentado na cama, Fernando pensa em João. Também tem sonhos. Pequenos: a ida ao fim-de-semana até casa para saciar a fome de estar com o filho que já não carrega ao colo. E grandes: ir de vez para casa. Força de vontade não lhe falta. Já sabe até o que quer fazer. Pintar para o João, como aprendeu ali. "Gostaria de dar-lhe mais de mim". A voz embarga-se. Não, não tem dores. "Deveria ter vindo para cá há mais tempo". Tal como Luísa, não quer contabilizar o futuro.

Thursday, October 23, 2003

PALAVRAS PARA A LEUCEMIA nos blogs Portugueses 

Palavras em Férias

Dedico este poema a todas pessoas com leucemia, principalmente às crianças, para que não sejam como este menino:

Criança

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, - e resiste.
Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto, se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...
Cabecinha boa de menino mudo,
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.
Cabecinha boa de menino santo,
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto
Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuíria.

Cecília Meireles

Que esta cadeia de afectos que une todos estes bloggers portugueses vos envolva suavemente e vos ajude a suportar a dor e a doença.

PS a nós, também se juntou o blog do meu filho Mário Desenhos Animados e Jogos.
Ele só tem 7 anos mas quando lhe falei desta iniciativa ele disse: Eu também quero no meu blog. Depois escreves-me?
Claro que escrevo! respondi eu...

Tuesday, October 21, 2003

ANTÓNIO... 

Eu Vou Mas Volto
Terça-feira, Outubro 15, 2003

O telefone tocou cedo naquela manhã de Dezembro de 1997.
- Estou? - Perguntei ainda ensonado
- Zé Carlos? Responde uma voz feminina
- Sim...quem fala?
- Sou eu a Emí­lia
Era a pediatra da Marta, a minha filha, despertei de imediato.
- Bom Dia Dra., passa-se alguma coisa?
- Preciso falar consigo, pode passar aqui no Hospital da Marinha?
A Dra. Emí­lia é daquelas Médicas por vocação, tem um consultório, ou melhor dois, faz serviço na Associação dos empregados do Comércio, onde assistiu ao nascimento da Marta, no Hospital da Marinha e em mais 2 ou 3 clínicas, mas nos seus consultórios são mais as vezes em que as crianças não pagam do que aquelas em que pagam. No meio de tudo isto, a Dra. Emí­lia ainda tem tempo para fazer trabalho voluntário. A Dra. Emília é uma Grande Médica, mas acima de tudo uma grande Mulher.
Fui ter com ela ao Hospital da Marinha... Precisava da minha ajuda, estava um menino, com 10 anos, no Instituto de Oncologia, era Moçambicano e tinha uma paixão enorme pelo Benfica e pelo João Pinto, que na altura era o capitão do Benfica. A dra. Emí­lia pediu-me para lhe arranjar uma camisola autografada por ele para ela dar ao António, era assim que se chamava o menino, numa festinha que iam fazer antes do seu regresso a Moçambique. Dei a minha palavra que no dia da festa o António teria a sua camisola do Benfica.
Liguei ao João Pinto e contei-lhe a história, pedi-lhe a camisola e ele disse-me:
- Zé, eu vou lá contigo levar a camisola.
Não disse nada à Dra. Emí­lia, seria uma surpresa total. No dia da festinha, passei na Luz para ir buscar o João e lá fomos para o IPO. Confesso que sempre me arrepiei quando passava em Palhavã, aquele sentimento de medo, de terror direi mesmo, aquele edifício era para mim um local de morte, de sofrimento... Felizmente não é assim, é um local de esperança!
Escusado será dizer que quando o João Pinto entrou fui uma alegria para todas as crianças. Eu tinha levado uma Polaroid, o João teve que entrar em todos os quartos de isolamento para tirar fotos com as crianças que lá estavam. Os Pais afirmavam que aquela visita valia mais que 2 ou 3 tratamentos, os médicos confirmavam.
Eu entretanto fui falar com o António, ele tinha Leucemia, o cabelo ainda não tinha crescido, estava magro, mas dos seus olhos eradiava uma estranha luz, uma imensa alegria. Perguntei-lhe porque razão voltava para Moçambique, perguntei-lhe se já estava bom. O António, do alto dos seus 10 anos respondeu tranquilamente:
- Não, não estou bom, nem irei ficar bom. Vou voltar para Moçambique para morrer em casa ao pé dos meus pais e dos meus irmãos.
O António tinha 10 anos, sabia que ia morrer. Passei o resto da tarde a chorar no corredor da pediatria do IPO. Eu que lá tinha ido para ajudar aquelas crianças, aqueles pais, acabei por ser eu o confortado. A Leucemia do António fora detectada em adiantado estado, pouco ou nada havia a fazer. Nunca mais me esqueci do António nem dos outros Antónios...
É já tempo de cada um de nós contribuir para que o sofrimento destas crianças possa ser minimizado, possa ser ultrapassado. A Leucemia pode ser curada, nós todos podemos e devemos ajudar começando por preencher o formulário de dador!
Obrigado Ana por me ajudares a recordar o António!

Um dia muito especial  

Terça-feira, Outubro 15, 2003
Cidadão do Mundo

A Cristina é enfermeira e lida diariamente com doentes oncológicos. Durante alguns anos, trabalhou num serviço hospitalar de hematologia e transplantes de medula óssea.
Por isso, para assinalar esta louvável iniciativa da Ana - um dia de solidariedade na blogosfera para lembrar a leucemia - resolvi pedir-lhe um texto sobre esta doença (cobarde, como muito bem lhe chamou o Nuno).

A Cristina disse-me que tinha já vários textos escritos sobre o assunto. Histórias verídicas, testemunhos pessoais, etc. Achei óptimo.
Só que, quando os li, confesso que hesitei em publicá-los. São memórias de situações íntimas e dolorosas que a marcaram no contacto com doentes leucémicos.
Achei tudo demasiado negro e pessimista e esse não era o espírito da coisa.

Só que depois pensei melhor. Não terá este lado desconhecido do acompanhamento de doentes terminais, por vezes tão triste e chocante, o condão de despertar mais as consciências, do que histórias melífluas e delico-doces? Talvez tenha.
Portanto, aqui vai uma história real. O nome é, obviamente, fictício.


«Lembro-me da D. Carolina que passou a tarde a aguardar a visita de algum familiar. Um qualquer... Dizia que o marido já não a vinha visitar, porque estava com a outra mulher. Não veio vê-la, nem trouxe os filhos para a verem. Ela estava ansiosa e revoltada. Revoltada com a doença que a mantinha aprisionada a uma cama de hospital, que não a deixava estar com os filhos.

Nesse dia fiz dois turnos. Entrei às 15 horas e só sai no outro dia às oito e meia da manhã. A doente estava em estado terminal e recordo que a sua situação clínica se deteriorou rapidamente. Lembro-me da dor no seu olhar, pelo abandono a que estava votada pelo marido e pelos restantes familiares. Dor por não poder ver novamente os filhos, não poder despedir-se deles.
O que mais me tocou e me custou foi isto. Não lhe ter sido permitido despedir-se dos filhos.

Nunca esqueci esta doente. Já lá vão muitos anos, mas ainda hoje me lembro dela com nitidez. Parece que a estou a ver, ali deitada na cama 13, indefesa, só, abandonada pela família, sem lhe ser concedido o direito a morrer em paz.

À medida que o seu estado se foi agravando, lembro-me que se agarrou à minha mão e me disse: "...Tenho medo, tenho medo de morrer, medo de deixar os meus filhos... O que será deles?..."
Faleceu à meia-noite e meia. Estive sempre ao lado dela, de mão dada, sentada numa cadeira ao lado da cama, com a cortina semi-corrida. Fui falando com ela, tentando confortá-la, tentando acalmar a sua revolta e a sua mágoa. Mas sinto que não o consegui. Nunca consegui esquecer o seu olhar magoado. Abandonado...

Quando penso nela, ainda hoje sinto impotência e revolta pelo que na altura achei, e continuo a achar, que foi uma falta de respeito da família e do marido. Uma enorme falta de respeito por uma pessoa.»



Respeito, meus amigos, respeito pelo próximo, é o primeiro passo para construirmos um mundo melhor.
E esta iniciativa é, sem dúvida, uma demonstração disso mesmo.

Só mais uma coisa. A Cristina é minha mulher. Conhecemo-nos há vinte anos e, pela primeira vez, fiquei comovido com algo escrito por ela.
Hoje é, de facto, um dia muito especial.

Leucemia 

Em memória de Carl Sagan
15 de Outubro de 2003
Adufe

Está a decorrer uma iniciativa na blogoesfera que visa debater, alertar consciências para uma doença "daquelas". Daquelas que em muitos casos surge sem se saber porquê e completamente a despropósito. Não olha a idade, sexo, condição social...
Muitos dos doentes têm a possibilidade de enfrentar a doeça se encontrarem um dador compatível. Somos tão parecidos e tão diferentes. A riqueza da espécie em promover a diferença funciona aqui, frente à Leucemia, como uma tragédia individual... Joga-se às probabilidades com a doença e com a nossa herança genética. Quantos mais se apresentarem, maiores as hipóteses de alguém ganhar uma vida. Mas para isso temos de tomar a iniciativa de nos rastrearmos. Dar-nos a conhecer.
Ainda não o fiz. Será desta? Aproveito com estas palavras para aumentar o peso na minha própria consciência e já agora na de quem me lê.
Mais detalhes aqui.

Os blogs que se juntaram à iniciativa de falarem sobre leucemia estão referidos, entre outros sítios, aqui.
Boas noites e bons sonhos.

Dias Coloridos 

Dias Coloridos

"Vinha eu na autoestrada em direcção ao Porto (na minha primeira viagem de
longo curso sossinha) depois de um dia de trabalho na capital a ouvir a
TSF.
Anunciam uma entrevista com Duarte Lima a propósito de um concerto que
devia acontecer nessa noite organizado pela Associação Portuguesa Contra a
Leucemia (concerto a que tinha muita pena de não puder ir, principalmente
quando estive lá tão perto, quem mora no Porto sabe como isto é, tantos
concertos na capital e nós tão longe).
Vim então a ouvir o Duarte Lima contar a sua experiência e como tinha tido
a sorte de ter um irmão (se a memória não me falha) compativel. E como em
paises estrangeiros já existiam bancos de medula, um dos objectivos a que a
Associação Portuguesa Contra a Leucemia se propunha. Depois explicou de uma
forma muito fácil como era feito o transplante de medula, quase sem
incomodos para o dador, sem incomodos mesmo se pensarmos que estamos a
salvar uma vida.
A entrevista acabou e eu continuei a viagem a pensar no assunto. Porque
raio havia de morrer gente se cada um de nós sem esforço pode ter a solução
para salvar uma vida?? Salvar uma criança!?! Salvar uma mãe ou um pai!?!?

Este foi o principio, depois recebi um mail de uma colega, mas não era uma
daquelas chain letters, era de um fornecedor da empresa (que eu não
conhecia) e que dizia o seguinte:

Todos vós , tal como eu , já receberam um dia mails a pedir ajuda para
diversos fins... encontrar alguém desaparecido , pedidos de informações
sobre curas de doenças , etc..., mas estava eu bem longe de um dia
necessitar também de fazer um apelo desta natureza.
A minha filha Inês de dez anos , necessita urgentemente de fazer um
transplante de medúla óssea , pelo que é necessário encontrar alguém que
seja compatível com a Inês a nivel de glóbulos brancos do sangue.

E a história da Inês tocou-me, fiquei a pensar que não podia deixar de
ajudar, afinal era tão fácil tentar acabar com o sofrimento da Inês e dos
seus pais!

Mergulhei na net procurei toda a informação, li tudo no CEDACE e na
Associação Portuguesa Contra a Leucemia.
Tive que tentar não pensar no meu pânico com as agulhas, afinal não ia
custar nada, era como ir tirar sangue.

Liguei para o Centro de Histocompatibilidade do Norte (22.5573470 no
Hospital de S.João) e fui super-bem atendida, como já tinha o formulário
pediram-me para o preencher e enviar por fax (22.5501101), foi o que fiz.
E passado nem 15 dias recebo o telefonema para passar no Centro de
Histocompatibilidade do Norte a qualquer hora entre as 9h e as 17h, passei
por lá, não perdi mais do que 10 minutos e ainda me quiseram dar um
atestado de presença para entregar no escritório!
Fui muito bem recebida por profissionais simpáticos e atenciosos, e saí com
o sentimento do dever cumprido, a pensar:
É só isto?! Como é que não há mais pessoas a fazer o mesmo?? Não custa nada
e pudemos salvar uma vida!"

Leucemia para recordar! 

Sábado, Outubro 18, 2003
Sorrisos eternos

Liberdade
Esperança
União
Carinho
Esforço
Mistério
Inteligência
Amor

Para que esta palavra não seja mais do que um sofrimento vá lá não custa mesmo nada. Verão que a palavra se tornará mais feliz com uma simples doação. Um SORRISO ETERNOesta nas tuas mãos. Colabora e verás que a palavra se pintará com cores mais belas! Ajuda a que a felicidade comande a vida!
Vamos todos pintar destas cores e felicidade a vida de quem no escuro está!


Saturday, October 18, 2003

Memorial do Convento 

Hoje (15/10/2003)

...foi o dia em que partilhámos emoções e recordações, mais do que em qualquer outro até agora.

Hoje, a flôr da nossa pele esteve mais sensível aos outros.

Que hoje se prolongue por amanhã e por todos os dias que se lhe seguem.

Que hoje não fique apenas como um dia de boas intenções que não chegaram a actos.

Que hoje possamos lembrar os mortos celebrando a vida e lutando por ela com mais do que palavras bonitas.

Que hoje retiremos das histórias contadas ânimo para lutar contra a doença, não apenas esta de que se falou, mas contra todas as pragas que ainda nos cercam.

Que hoje seja para sempre lembrado como o primeiro dia de muitos dias especiais.

Muito obrigada, Ana.


Sónia

Memorial do Convento 

Memorial do Convento
Quando andava no 10º ano tinha um grupo simpático de amigas que entretanto se dispersou vida fora. Andávamos todas na mesma turma, tínhamos a mesma idade e morávamos perto umas das outras. Éramos cinco – as “Famosas Cinco”, como gostávamos de dizer. Encontrávamo-nos frequentemente depois das aulas em casa da Susana (a mãe dela preparava uns lanches estupendos!). Mas aí nunca éramos cinco – éramos seis. O irmão mais novo dela, o Ruben, gostava de ficar connosco na sala a ouvir – e a participar – nas conversas e nas brincadeiras. O Ruben tinha seis anos e era do mais esperto que se possa imaginar! Sabia tudo, percebia tudo, como irmão mais novo, cumpria muito bem a sua função de “atazanar” a vida da irmã, revelar-lhe os segredos e fazer pouco dela. Connosco era diferente, sobretudo comigo. Sempre me relacionei bem com crianças e animais, melhor do que com adultos. Sempre preferi assim. A companhia das crianças e dos animais faz-me acreditar que as coisas são simples e os afectos autênticos. Há uma verdade, uma pureza, uma paz única na companhia das crianças. Com o Ruben era assim: ele era a minha companhia preferida, o meu melhor companheiro de brincadeiras. Quando fiquei doente, ele não me pôde visitar no hospital mas mandou-me um presente: um porta-chaves do Garfield – um gosto partilhado e que eu cultivo até hoje –com a seguinte inscrição “Come on, amigo!”. O porta-chaves estragou-se, mas guardo religiosamente esse Garfield como uma das coisas mais importantes que alguma vez recebi.

Pouco tempo depois da minha recuperação, o Ruben ficou doente. Foi numa Terça-feira. Começou com febres altas e teve de ser internado de urgência. Passou quarenta e oito horas nos cuidados intensivos, a fazer todo o tipo de exames possível. Quando finalmente consegui falar com a Susana, ela disse-me que o Ruben já não estava nos cuidados intensivos. Precipitada como sempre, disse-lhe imediatamente que queria vê-lo e perguntei se poderia ir à visita no dia seguinte. Ela respondeu que já não valia a pena...

Demorei alguns minutos a perceber o que queria ela dizer e quando percebi fiquei em choque: o Ruben tinha morrido. Leucemia galopante. Chegou sem avisar e instalou-se no corpo dele silenciosamente, enquanto brincávamos, enquanto ríamos, enquanto lanchávamos. Eu não dei por nada, ninguém percebeu nada. A doença foi sorrateira, discreta, não apresentou pistas físicas até ser tarde demais. Nada podia tê-lo salvo. Não tivémos qualquer hipótese, o Ruben não teve qualquer hipótese.

Foi o primeiro e único funeral de criança a que assisti até hoje. Colocámos-lhe dentro do caixão um avião telecomandado que lhe tínhamos comprado para lhe oferecer nos anos. Não existem palavras que descrevam a imensa tristeza dos pais. O cabelo da mãe ficou completamente branco em poucos dias.

Não me esqueço do comentário da minha mãe: “Para que é que Deus lho deu, se lho tirou tão pouco tempo depois?”. O Ruben tinha sido o segundo filho muito esperado e desejado de um casal a quem foi dito que não poderia ter mais filhos, daí a diferença de idade que tinha da irmã.

Nunca me esqueci dele, acho que nunca me esquecerei. Sempre que ouço a palavra leucemia é a imagem dele que vejo. Tenho pensado, nos últimos dias, qual a melhor abordagem para este assunto, que mensagem, que ideia poderia eu transmitir de maneira eficaz. Depois do muito que se tem falado sobre leucemia, o que poderia eu acrescentar que pudesse fazer alguma diferença? Decidi falar-vos do Ruben, recordá-lo, homenageá-lo, até porque faz manhã catorze anos que morreu – ironicamente.

A mensagem que gostaria de fazer passar é esta: no caso do Ruben e noutros casos semelhantes, nada se pode fazer, a doença não dá avisos nem tréguas, é implacável, não nos deixa sequer tentar combatê-la. Mas, felizmente, nem sempre é assim e há casos nos quais podemos fazer a diferença. Todos temos afectos, família, amigos, pessoas a quem amamos mais do que a nossa própria vida. Por elas, mas também por todas as que ainda não conhecemos e provavelmente nunca chegaremos a conhecer, pelas pessoas saudáveis tanto quanto pelas que o não são, pelos jovens e pelos velhos, por todos, sem olhar a raças, credos, convicções e outros disparates sociais.

Por todos e por nós mesmos, um pequeno gesto que pode fazer toda a diferença e, quem sabe, pode até salvar a vida de alguém que nos é querido. Uma análise ao sangue e depois, no caso de termos a sorte de ser chamados a doar medula, uma picada na tíbia que pode até doer um bocadinho, mas é um preço ridiculamente baixo a pagar pela vida de alguém. Inscrevam-se como dadores de medula - já há tanta coisa nesta vida que nos ultrapassa, não vamos deixar que a leucemia seja mais uma.

Sónia


Memorial do Convento
Hoje acordei cansado. Dormi pouco. Estive até tarde a arrumar "a casa" com voltas e mais voltas no template. Quando vinha para o trabalho, ainda mal disposto, vi pelo espelho retrovisor, um lindo céu laranja. As nuvens, espalhadas, como se tivessem sido sopradas por uma criança, tinham a côr do sol que nascia reflectida. Parecia um imenso merengue de azul e laranja. Mas não é propriamente do meu dia, ou das minhas visões que vamos falar hoje.

A Ana, resolveu organizar uma acção, que tem lugar hoje, e na qual, vários blogs se uniram para falarem de um tema comum: a leucemia.

Felizmente, e apesar de ter uma história clínica bastante rica, não conheço de perto o drama da Leucemia, pelo que qualquer opinião será sempre desprovida da real experiência com a doença. já tive alguns casos familiares de doenças malignas, alguns bem resolvidos, outros nem por isso, devido ao tardio diagnóstico. Hoje em dia, praticamente qualquer doença maligna, se diagnosticada cedo, pode ser perfeitamente curada e vencida. É tudo uma questão de rapidez no diagnóstico e para isso, antes de qualquer outra pessoa, é necessária a nossa atenção, aos sinais de alerta que o nosso corpo lança. No caso da Leucemia, os sinais comuns são geralmente a fadiga, perda de peso, palidez, infecções e hemorragias.
A Leucemia é um descontrolo na produção de glóbulos brancos que leva à deterioração da medula óssea e do seu funcionamento (produção de células sanguíneas normais). Este descontrolo pode levar, se não tratado, à morte do doente.

Para combater a doença, além dos tratamentos de quimioterapia, com ou sem radioterapia, existe ainda a possibilidade de um transplante de medula óssea. Este tratamento é mais díficil de efectuar, devido à compatibilidade que é necessária existir entre o doente e o possível dador. Para haver mais possibilidades de encontrar um dador compatível com um qualquer doente, tornou-se necessária a criação de um banco de dados de dadores de medula óssea. Qualquer pessoa saudável pode doar um pouco da sua medula. O processo, para o dador é praticamente indolor, consistindo na recolha de células do osso da bacia, através de agulhas especiais, ou apenas de uma recolha de sangue (como uma simples análise clínica). Com estes dois simples processos, podemos salvar vidas, se existirem receptores compatíveis. Inscreva-se no Centro de Histocompatibilidade do Sul, ajude. Não custa nada e poderá estar a dar o primeiro passo para salvar uma vida.

João

Leucemia 

Último Reduto
Sugere a Ana Anes que na blogosfera se recorde - neste dia 15 de Outubro - a leucemia. Não há melhor forma de tratar estes assuntos - digo eu - que não seja dando voz a quem sente na pele a brutalidade da doença, sem que essa doença consiga retirar a fé de quem dela sofre ou sofreu. É esta atitude positiva todo um ensinamento. E foi no site da Associação Portuguesa contra a Leucemia que encontrei um testemunho de uma doente, que de seguida transcrevo:

Confrontada com o diagnóstico da leucemia, o mundo desabou sobre mim.
Para quem tinha sido sempre saudável e gostava de viver, para quem se considerava feliz, a perspectiva de ter uma doença fatal é desoladora.
No meu caso o que aconteceria aos meus filhos, ainda pequenos?
No meio deste impacto permanece o pânico do futuro - que futuro? -, ao lado da esperança de estarmos dentro da percentagem dos que conseguem ultrapassar esta prova e que a vencem.
Iniciados os longos e, por vezes, penosos tratamentos, vividos os arrastados internamentos, há que manter a disponibilidade física e mental para aceitar os constantes avanços e recuos que a doença e as sequelas dos tratamentos nos vão oferecendo. O tempo durante a doença não pode ser contabilizado - é uma aprendizagem que vamos fazendo, só importará ser valorizado depois de ultrapassado este mau bocado.
O grande profissionalismo, a dedicação e o carinho que nos são prestados pelos profissionais que nos acompanham contribuem muito significativamente como suporte da longa caminhada que temos que percorrer. No meu caso foi prestimosa, e apraz-me aqui reconhecê-lo, o valioso auxílio que sempre recebi dos médicos, dos enfermeiros e das auxiliares de acção médica do IPO de Lisboa. A diferença, então quando é pela positiva, sente-se.
Este testemunho não ficaria completo se não referisse a incomensurável ajuda que recebi dos meus familiares e amigos que, com o sacrifício, por vezes, da sua vida pessoal e com muito amor sempre estiveram ao meu lado e sempre me transmitiram força e alento. Nos momentos mais difíceis, de maior debilidade física e/ou psicológica a "simples" presença de uma pessoa que nos conforta, alivia a nossa dor, dá-nos fôlego para mais uns dias. Também a eles obrigado.
Neste momento - Setembro de 2002 - ainda não superei a doença, estou em convalescença de um alo-transplante não relacionado, o qual, até à data, tem sido bem mais fácil que muitos tratamentos anteriores, mas parece-me poder alimentar a esperança de ainda poder vir a desfrutar a vida com alguma qualidade. Partilhá-la com aqueles que mais amo, acompanhar os meus filhotes.
Mas, ainda hoje, três anos volvidos sobre o diagnóstico, não compreendo como isto me aconteceu a mim, acho que não estava "fadada" para estas tarefas e entendo tudo por quanto passei e estou a passar como uma missão de que fui encarregue.
Pelo que já cumpri e se conseguir terminar agradeço a Deus
.

nota: faço minhas as palavras da nota anterior da "Sombra". Bem hajam pela iniciativa!

Friday, October 17, 2003

A dura esperança 

A Sombra

Soube da iniciativa "um post para lembrar a leucemia" em cima do dia 15 e apenas chamei a atenção para ela e para o blog da Ana Anes no meu próprio blog.

Ao ler sobre a leucemia não fazemos mais que recordar que existe, o que já todos devemos saber, mas que tantas vezes parecemos esquecer. Se a atenção assim despertada fizer com que um só dos que aqui escrevem ou lêem possa reparar em algo que não repararia de outra forma no seu quotidiano, levando a que ajude a salvar uma vida ou, pelo menos, a torná-la mais feliz, este local terá cumprido o seu propósito.
Acredito que nenhum dos que aqui escrevem pense poder intervir de forma directa no salvamento de uma vida; tal acontecerá ou não dependendo de muita coisa, a principal sendo estar atento ao que nos rodeia.

Entendo que os autores das diversas entradas referentes a esta iniciativa (ou a Ana) deverão ser os responsáveis pela colocação das mesmas no Solidariedadeblog, de onde não ter escolhido uma delas para publicação, antes uma notícia do DN, datada de outro dia 15, o de Agosto de 2003, que nos dá alguma esperança ao mesmo tempo que nos demonstra o quão terrível é esta doença, e apesar de ser apenas um pequeno desenvolvimento, já do conhecimento de especialistas portugueses, que, prudentemente, evitam euforismos. Na leucemia, até a esperança é dura. Aqui fica a notícia.

Leucemia infantil considerada curada após 10 anos sem recaída
por Ana Catarina Pereira

"Os sobreviventes da forma mais comum de leucemia infantil podem ser considerados curados ao fim de dez anos sem recaídas. Esta é a principal conclusão de estudo publicado ontem no New England Journal of Medicine. Especialistas portugueses afirmam que o mesmo «não acrescenta nada de novo ao que já se sabia».

Investigadores do St. Jude Children Research Hospital de Memphis, em Tennessee, nos Estados Unidos, estudaram 856 pacientes que sobreviveram pelo menos dez anos sem recaída e concluíram que os que não foram tratados com radiações, mas antes submetidos a quimioterapia intensiva têm mais hipóteses de cura. Os investigadores constataram assim que as taxas de mortalidade, emprego e casamento neste grupo de pessoas eram compatíveis às da população em geral. Entre os que receberam radiações, as taxas de mortalidade e desemprego eram ligeiramente superiores e o número de casamentos das mulheres mais baixo do que entre a população em geral.

Para António Parreira, chefe do serviço de hematologia no IPO de Lisboa, a conclusão já faz parte do «conhecimento comum, não é nada de muito novo», uma vez que a grande maioria dos doentes que tiveram leucemia têm vidas normais logo nos primeiros anos após a quimioterapia.

Angela Proença é a prova disso mesmo. Enfrentou a leucemia com 15 anos e hoje, quatro anos depois, apenas faz uma consulta anual. Entretanto, já concluiu a escolaridade obrigatória e prepara-se para iniciar um curso profissional de esteticista. António Parreira acrescenta que a leucemia infantil é geralmente uma «doença de bom prognóstico, por ter a capacidade de se curar com quimioterapia».

Segundo Mário Chagas, pediatra do IPO, este estudo «não apresenta grande credibilidade» e prefere nem sequer comentá-lo. Na sua opinião, o tratamento com quimioterapia sempre se mostrou mais eficaz do que a radioterapia.

O estudo ontem publicado afirma ainda que a leucemia linfoblástica aguda, antes considerada intratável, tem agora uma grande percentagem de hipótese de tratamento. Mais de 80% de doentes sobrevivem agora pelo menos cinco anos. O estudo salvaguarda, no entanto, que estes pacientes permanecem em risco de voltar a contrair cancro do sangue e desenvolver segundos cancros, o que torna incerta a definição de cura."


Até mais,
RS

nota:
Agradeço à Ana o gentil convite para participar nesta iniciativa e espero poder contribuir com algo mais, caso tal se justifique. Um abraço a todos os participantes do SolidariedadeBlog e aos que aqui se recordam desta terrível doença, lendo sobre ela.

Belapolima 

Belapolima

Todos podemos fazer mais e melhor...

A história é verídica. Correu mundo. Criou e fez desfilar sentimentos. E mesmo a angústia, que de há muito mora em determinados corações... foi-se afastando. Pelo menos por momentos. Billy era um menino que não tinha muito tempo de vida... Com 6 anos, estava desenganado pelos médicos. A sua vida não duraria muito. E mesmo que lhe não tivessem dito, Billy adivinhava. A mãe, uma jovem de 26 anos, multiplicava-se em atitudes de amor... para que o seu Bill tivesse uma vida mais ou menos igual às dos outros. Vezes sem conta se interrogava sobre o que haveria a fazer para minimizar as dificuldades do seu rebento.

Em Phoneix, no Arizona, muita gente conhecia a história do menino de 6 anos que... ia definhando em cada dia que passava. Para a mãe, a luta era avançar, avançar sempre, como se o menino tivesse não apenas meses de vida - como os médicos diziam - mas muitos... muitos anos.

- Quando cresceres, o que é que tu queres ser? - Era a mãe a falar, ensimesmada no jogo do faz de conta. Triste por dentro, amargurada ao extremo, deixou cair a pergunta. Interessante - pensava - era que o filho crescesse com os seus sonhos... mesmo que não tivessem uma longa duração. A leucemia minava o corpo tenro do seu bebé...

- Mãe... quando eu crescer, eu quero ser bombeiro. Sempre sonhei com isso...

A mãe sorriu. Acreditava que era possível fazer real... o sonho do seu menino. Logo que teve possibilidades, foi-se ao quartel dos bombeiros. Encontrou Bob, um bombeiro que tinha um coração do tamanho do mundo. Em meia dúzia de palavras, explicou o sonho do filho. Um sonho que (como ela o sabia!) nunca se poderia tornar em realidade...

O bombeiro Bob disse:

- Veja, NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Se você estiver com seu filho pronto às sete horas da manhã, na próxima quarta-feira, nós podemos fazê-lo um bombeiro honorário por todo o dia. Ele poderá vir para o quartel, comer conosco, sair para atender às chamadas de incêndio e se a senhora nos der as medidas dele, nós conseguiremos um uniforme verdadeiro para ele, com capacete, com o emblema da nossa corporação, um casaco igual ao que vestimos, assim como umas botas apropriadas. Nada de brinquedos...

À hora marcada, o bombeiro Bob foi buscar o Bill, vestiu-o com o seu uniforme e escoltou-o desde a sua cama do hospital até à estação. No caminho, Billy sentou-se no banco de trás. Como quem vai para um combate a um incêndio. Feliz. Mais feliz ficando, quando, depois de três chamadas para combate ao fogo, foi aos três... ajudando na medida do possível. Chegou a entrar na ambulância dos paramédicos. E até no carro do chefe de operações.

À noite voltou ao hospital. Com o coração cheio. Mais forte. Para lutar ainda mais contra a doença que o atormentava. Os médicos tinham-lhe dado mais uns dias. Só que ele viveu três meses mais do que qualquer médico tinha prognosticado.

Uma noite, os sinais de vida definharam. A enfermeira chamou os familiares. Entendia que era chegada a hora e que ninguém gosta de morrer só. Foi então que a mãe se lembrou do dia de bombeiro do seu Billy. Telefonou a perguntar ao comandante se era possível mandar ao Hospital um bombeiro fardado. Para que o sonho do seu menino se prolongasse um pouco mais. O bombeiro-chefe disse que PODERIA FAZER AINDA MELHOR:

- Estaremos aí em 5 minutos... Só quero que me faça um favor. Quando os carros apitarem e as luzes emitirem o sinal de perigo... pelo sistema interno do hospital... diga que não é fogo...

Os bombeiros queriam ver mais uma vez o seu bombeiro-menino. Queriam entrar pela janela do seu quarto, aberta propositadamente.

Cinco minutos mais tarde, as janelas do quarto do Billy, no terceiro andar, abriram-se de par em par. 16 bombeiros entraram por lá. Com a permissão da mãe, abraçaram o menino, dizendo-lhe quanto o amavam. Com a respiração ofegante, Billy ainda perguntou: "Chefe... então eu sou mesmo um bombeiro agora"? E ele, com as lágrimas nos olhos, foi respondendo: "Billy... tu és um dos melhores..."

Billy fechou, então, os olhos, pela última vez. Quem assistiu... diz que lhe bailava nos lábios um sorriso meigo. Daqueles que ninguém consegue interpretar cabalmente...

Já é tempo de cada um de nós perceber que TODOS PODEMOS FAZER MAIS E MELHOR para que o sofrimento destas crianças possa ser minimizado, e, sempre que possível, ultrapassado. Como primeiro passo, que tal começarmos todos por preencher o formulário de dador?!

Assumidamente 

Assumidamente

15 Outubro 2003
Leucemia: e a ajuda aqui tão perto!
Foi hoje o dia em que conheci a morte!... Hoje, dia 15 de Outubro de um ano, que, apesar de já lá ir, a memória jamais apagará…
A notícia da morte veio de rompante, como de rompante veio a notícia da doença: “o tio está com cancro”… “o tio morreu”… Assim, tudo de repente, sem que alguém pudesse fazer alguma coisa, sem que alguém tivesse tempo de perceber alguma coisa.

É impossível assistirmos à morte de alguém que nos é próximo e nada mudar dentro de nós. A morte aproxima-nos da vida, faz-nos amar com mais força, viver com mais entusiasmo e relativizar todos os males, porque percebemos que os dias não são eternos e as horas são demasiado escassas para que as desperdicemos com problematizações…
Além disso, a morte aproxima-nos das pessoas: das que morrem, na memória que não se apaga e das que vivem, no desejo de que vivam o mais e o melhor possível.
Aumenta também em nós o desejo de agir, de ajudar, de tentar compreender o que podemos fazer para que não volte a acontecer algo igual, tão de repente, tão incompreensivelmente…

… Faz hoje anos que o meu tio morreu de cancro. Coincidência ou não (a Margarida Rebelo Pinto diria que não!) é hoje o dia em que a blogosfera, por iniciativa do Aanes, se une numa corrente de solidariedade por todos aqueles (e pode mesmo ser qualquer um de nós) que são afectados por um tipo de cancro específico: a leucemia.

Confesso que não costumo acreditar em correntes de solidariedade do estilo: vista branco por Timor, acenda uma vela pelo Iraque ou escreva um texto sobre não sei o quê… Mas desta vez, se não serviu para mais nada, esta corrente serviu para que eu descobrisse que há casos em que sim, efectivamente, podemos fazer alguma coisa! Serviu para que eu compreendesse como é tão simples, doando um pouco de nós, doarmos uma vida nova!
Afinal, não custa nada e pode valer tanto!

P.S. - A nossa pequena "discussão" do post anterior continuará dentro de momentos!

Alma Despida 

Alma Despida

"Porque estamos a ser educados no egoísmo. Preocupados com a NOSSA vida, com os NOSSOS contratempos, contrariedades, dificuldades. Nunca estamos alerta o suficiente. " in aqui.

....E de repente as lágrimas encheram uma face corada de vergonha - a minha!
Gostava de ter a coragem para apagar o post anterior. Mas não o faço. Nem que seja para me recordar o egoísmo que tantas vezes dizemos não sentir, mas que na maior parte das vezes praticamos diáriamente. Nas pequenas coisas, nas pequenas rotinas diárias.
Nada mais fiz hoje do que passar um dia inteiro em reuniões e aulas, espaçadas pelos percursos diários de automóvel.
E continuei a pensar - Não tenho tempo.
Mas pelo menos agora, tento redimir e esconder a vergonha.
Confesso que acabei de fazer o download do inquérito da Lusotransplante.
Nunva vivi o drama, nem de longe, nem de perto, e talvez por isso o mesmo me continue "a passar ao lado", pensando que talvez aconteça sempre aos outros. Talvez por isso, nunca estou alerta o suficiente.
Desculpa Aanes. Aprendi a lição!

Água Tónica e Ginger ele 

Água Tónica e Ginger ele



Leucemia


music by: Asche & Spencer - Close Thirteen


Se há doença cruel essa doença é o cancro.


A Leucemia é uma forma de cancro. A maneira lenta e abrangente com que pode destruir um organismo tem requintes sádicos. Só na prática pude perceber como são conduzidos á morte muitos destes doentes: á fome, porque o seu corpo rejeita o alimento, devido aos tratamentos. A morte acaba por ser uma dádiva nos casos terminais, a morfina oxigénio enquanto ela não vem.

Dependendo do tipo de cancro e da altura em que fôr detectado há sempre esperança. No caso da Leucemia, para além da quimioterapia existe a hipótese do transplante da medula óssea, em certos doentes.



Mas o melhor caminho continua a ser a prevenção. Isto apesar de sabermos que existem factores que não controlamos. Vem isto (também) a propósito da polémica dos maços de tabaco. É a aplicação prática da Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger (foi a única coisa que me ficou da cadeira de Psicossociologia das Organizações, confesso). Fumam, gostam de fumar, sabem que faz mal, mas não há problema, só acontece aos outros, o senhor da papelaria tem oitenta anos e fuma desde os seis. Até que...



E acreditem...o chão foge mesmo debaixo dos vossos pés...


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* Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão - CEDACE

* Associação Portuguesa Contra a Leucemia - APCL

Este post partiu duma iniciativa deste blog: AANES

Abaixo o chispe, viva o iogurte! 

"Abaixo o chispe, viva o iogurte !"

A minha amiga Gutinha pediume para faser uma redassão.
Eu goçto munto da Ana Tereza. A Ana Tereza é boa porqué comó milho mas é má porque morre-se.
O mê pai morreu de cânquero quando ê stava na tropa. A Ana Tereza foi má porque podia dechar o mê pai conhesser asminhas filhas.
Á dias a Juana gritava prá Mariana:
- tu éz munta burra.
- iço nã çe dis há tua iremã - diçelhe eu - proque lhe xamas eçe nome fâio?
- ó pai, eu eçqrevi nun papele "se me ia" e ela leu cemia!
- ólha, filha, não çe berinca com a Ana Tereza. Quere diser, brincasse maz nã çe goza co ela. Perssebes, filha?
Ela ficou xatiada:
- ólha, pai, tu eçtáz çempre abrincare! Ê vô é vizitar o belogue da Gutinha, para çaber maiz çobre a leucemia.

TASCA DA CULTURA 

TASCA DA CULTURA

Leucemia
Numa iniciativa conjunta de diversos blogues, comprometi-me a escrever algo sobre a leucemia.
Ora passei aqui esta chuvosa manhã a fazer festas ao dorminhoco Jeremias, a passear de um lado para o outro na casa e pensar no que poderia eu dizer sobre leucemia.
É que tenho tendência para não levar a vida a sério e não o quero fazer neste caso, por respeito pela iniciativa.
O que a Leucemia tem de terrível é o facto de se desconhecer propriamente o que a provoca.
Os cientistas suspeitam que alguns vírus bem como factores genéticos ambientais e imunológicos possam estar envolvidos.
A leucemia é Sra. Morte a tirar papelinhos com os nossos nomes da sua cartola negra. Às vezes sai o nome de uma criança. Vi um documentário sobre cães que ajudavam os miúdos em quimioterapia.
Os animais, e sei do que falo, têm um poder curativo fabuloso. Será que em Portugal se faz isso? Se fizer, por favor informem-me, conheço uma simpática labrador retriever muito dada a crianças que decerto as ajudaria. E o dono também.
Confio no génio humano para que descubra a cura da leucemia e confio na vossa ajuda, com donativos ou mesmo como doadores.
Contra a Leucemia
Bem haja

Arte de Opinar 

Arte de Opinar

COBARDE!



Assim que a colega de blogosfera, Ana Anes, me propôs que utilizássemos este meio “virtual” que está na moda, para falar em uníssono sobre um tema sério, de imediato aceitei.

Primeiro, e mais importante, por respeito por quem sofre desta terrível doença;

Segundo, por respeito por quem se vê privado de um ente querido;

Terceiro, porque acredito que poderá ser uma pedrada no charco e um bom exemplo, utilizar vários blogues para sensibilizar a população para temas sérios, nomeadamente a que lê estes espaços virtuais;

Quarto, para provar que nem só de polémica ou humor vive a blogosfera;

Quinto, porque acredito na sinceridade e na bondade da ideia da Ana.


Tenho a sorte de não ter perdido alguém que me seja querido, por causa deste “demónio” mas tenho-me cruzado ao longo da vida com pessoas que ficaram privadas de entes queridos, ceifados por este flagelo…e cuja indelével dor não se consegue esconder nem apagar.

Obviamente, que me toca profundamente, o sofrimento de alguém que padece desta inexorável doença, mas permito-me ressalvar a minha particular solidariedade e simpatia para com a dor de crianças enfermas.

É um lugar-comum aquilo que vou escrever, mas que se “lixe”, é do fundo do coração que o escrevo:

- com que direito se tolhe a vida de uma criança, as suas ilusões, os seus sonhos, a sua inocência…que mal fez ela para que não possa ver o amanhã? É uma luta desigual e COBARDE! São vítimas indefesas!

Temos que fazer tudo o que nos seja possível para minimizar a dor de quem sofre e lutar sem descanso pela erradicação da leucemia!


Menciono a seguir autênticos heróis que não baixam os braços nesta corajosa batalha!

Associação Portuguesa Contra a Leucemia
Organização Portuguesa de Transplantação
Lusotransplante


Notas soltas

- 100 novos casos de leucemia por cada milhão de indivíduos em Portugal;

- “ É urgente criar um registo de dadores de médula”, segundo o Dr. Duarte Lima, advogado, ex-líder parlamentar do PSD e Vogal da Direcção da APCL;

- como não é possível rastrear esta doença, pois atinge a pessoa de um momento para o outro, um dos objectivos principais é a criação de um registo de dadores eficaz;

- em Portugal existem poucos dadores de medula (cerca de 1500 dadores).


O que é a leucemia?

A leucemia é uma doença maligna dos leucócitos (glóbulos brancos) e pode ser classificada em aguda ou crónicas. As causas não são hereditárias nem contagiosas. Por um processo não totalmente conhecido, uma das muitas células que dão origem aos leucócitos sofre uma alteração e passa a crescer de forma não controlada. Os sintomas mais frequentes resultam da diminuição dos elementos normais do sangue, o que se traduz, no aumento no risco e número de pneumonias e amigdalites, anemia e aparecimento de hemorragias.
Obrigado Ana...e Catarina!

Agradeço à Ana, o convite que me endereçou e à Catarina, a bela ideia que teve!

Aki começa! 

Agora só temos de reunir todos os "post" de dia 15... o meu email está disponível anaanes@netcabo.pt

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