<$BlogRSDUrl$>

Wednesday, December 17, 2003

Transparentes. Conhece-os? 


Olá, eu sou o Sérgio Vilar. Tenho 28 anos e sou Transparente desde os 16. Tenho HIV, adquirida por transfusão sanguínea após acidente de moto e tento o dia-a-dia na Rua de São José. Boas festas a todos.


Chamo-me Serafim, sou alcoólico, tenho 46 anos e não tenho emprego desde que me morreu a mulher. Não tinha condições para criar os filhos e já não sei da minha família.
Estou Transparente na estação do Rossio à espera de um dia bom: a minha morte!
Um bom Natal a todos.


Eu sou o Marco Sequeira, tenho seis anos e trato da minha irmã mais nova. Não sei quem é o meu Pai e estou Transparente em Algés à espera da minha Mãe que foi trabalhar a dias. Vou pedindo alguma coisinha para ajudar a pagar a bilha do gás.
Desejo que todos os meninos tenham muitos presentes no Natal.


O meu nome é Andrade. Vivo debaixo dum cobertor rodeado de cartões e sou Transparente desde 1994. Sobrevivo com a ajuda alheia porque me sinto sem forças para fazer seja o que for. Fui posto de parte pelo patrão devido à idade e não sei para onde ir. Tenho 69 anos e sou carpinteiro. Boas Festas.


Tenho 57 anos e conhecem-me por Amélia Mesquita. Sou de Miragaia e estou Transparente nas imediações das terras vizinhas à procura de biscates para poder ter uma sopa para comer. Vivo em condomínio fechado a cimento e tijolo num barraco abandonado. Ainda vou tendo lenha para me aquecer e desejo um Bom Natal a toda a gente.


Eu sou Carmelinda Nunes. Tenho 63 anos, sou viúva e não tenho ninguém a quem recorrer para me auxiliar. Faço colchas pequeninas para as senhoras de famílias boas e sou Transparente em Tomar. Recebo a reforma de 29 contos que ainda me vai dando para as lãs. O resto depende da vontade dos outros. Um bom Natal e um Próspero Ano Novo.

E você? Vê mais alguém?


Última Hora - Local - Norte 2003-12-15 - 14h47:00 

Julgamento em Aveiro
Aborto: manifestação de solidariedade com sete arguidas marcada para amanhã
Associações cívicas, sindicais e partidos de esquerda vão manifestar-se amanhã, junto ao tribunal de Aveiro, em solidariedade com as sete mulheres que ali estão a ser julgadas por prática de aborto, e vão aproveitar para exigir a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às doze semanas.

O protesto coincide com a segunda sessão do julgamento e "insere-se no movimento mais vasto de reclamação junto dos poderes instituídos, designadamente da Assembleia da República, pela despenalização do aborto", indica uma nota do PCP, que justifica a presença do partido nesta iniciativa de "solidariedade e reclamação".

O secretário-geral dos comunistas, Carlos Carvalhas, foi dos primeiros dirigentes partidários a comentar o julgamento de Aveiro, o segundo do género em Portugal. O caso foi, entretanto, levado ao Parlamento Europeu pela deputada comunista Ilda Figueiredo.

"Tal como num julgamento similar, ocorrido há dois anos na Maia, este caso prova que a lei que criminaliza as mulheres existe e que cada vez mais tem sido aplicada", realça o movimento Petição por um Novo Referendo, que se indigna com a "humilhação" imposta às mulheres que abortam e com a "devassa da sua vida privada".

Este movimento, que também anunciou a sua presença no protesto de Aveiro, pretende reunir as 75 mil assinaturas necessárias para levar a Assembleia da República a debater de novo a questão e, eventualmente, referendar a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (a última consulta data de 1998). O grupo considera que só com a descriminalização do aborto se acabará com os "circuitos de clandestinidade".

O Movimento Democrático das Mulheres, a organização de mulheres da União dos Sindicatos de Aveiro e o Bloco de Esquerda são outras presenças confirmadas no protesto.

O Bloco de Esquerda fez já, pela voz do deputado João Teixeira Lopes, uma declaração política no Parlamento condenando o julgamento e acusando o ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, de "ter mentido quando disse que nenhuma mulher seria julgada" pela prática de aborto.

O julgamento e os protestos associados surgem três dias depois do bispo do Porto, Armindo Lopes Coelho, ter defendido, em entrevista ao semanário "Expresso", que o aborto não devia ser penalizado, contrariando a posição oficial da Igreja Católica.

A Associação de Defesa e Apoio à Vida (ADAV), uma estrutura de Aveiro próxima da Igreja, defendeu a actual lei que regula a prática de aborto e acusou a esquerda de empolar este caso e de, em nome da solidariedade com as mulheres, acabarem "por transformar em heróis negociantes que desenvolvem uma actividade ilícita, fazendo abortos para ganhar dinheiro".

Também a associação Mulheres em Acção acusou os defensores da realização de um novo referendo sobre o aborto de estarem a "tentar instrumentalizar a mulher", usando argumentos "muito frágeis" e que "soam a falso". Esta associação de âmbito nacional, que afirma ter por objectivo social lutar contra todas as formas de discriminação entre homens e mulheres, afirma, em comunicado, que a liberalização do aborto é "uma obsessão ideológica dos seus promotores".

No julgamento de Aveiro, iniciado dia 2 e que na manhã de amanhã realiza a sua segunda sessão, o principal dos 17 arguidos é um médico residente em Fermentelos, Águeda, acusado pelo Ministério Público de "crime na forma continuada de aborto agravado, a troco quantitativo de dinheiro", durante o ano de 1997.

Sete mulheres que alegadamente abortaram na clínica que este médico tem em Aveiro são co-arguidas no processo. Estas mulheres terão tido conhecimento do clínico através de outros profissionais de saúde.

Na barra judicial estão ainda uma irmã e uma funcionária do médico, acusadas de cumplicidade, tal como alguns familiares directos ou namorados das mulheres acusadas de abortarem voluntariamente.

Na acusação do Ministério Público, formulada a partir de uma investigação da Polícia Judiciária (PJ), afirma-se que o clínico praticava com alguma regularidade o crime de aborto, cobrando 55 contos (275 euros) por cada intervenção.

Aludindo à forma como a PJ investigou este caso, Regina Marques, dirigente do Movimento Democrático das Mulheres, considerou "estapafúrdio pôr a polícia à frente das clínicas a ver quem entrava e quem saía, levando as mulheres que saíam combalidas a prestar declarações e a fazer exames ginecológicos".

in publico online

post by RUI

Monday, December 01, 2003

Ela Está Entre Nós 


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

<$BlogRSDUrl$>